Acompanhamento
Álbum de Fotos
Apoio à pesquisa
Biblioteca
Boletim
Artigos
Comunicados
Gabaritos
Sala de aula
Tarefas
Vestibular

Neste espaço, o visitante vai encontrar orientação nas áreas de Saúde, Educação, Psicologia etc., por meio de artigos sobre temas relevantes e de interesse dos pais – alguns, inclusive, escritos ou com depoimentos de profissionais do Augusto Laranja.


ADOLESCÊNCIA

Espiar a vida alheia na TV é isca para jovem
Imagens irreais - transtornos alimentares: anorexia e bulimia
Seus filhos preferem ficar com os amigos?
Como se escolhe uma profissão?
Muitos pais continuam a se comportar como na história da Bela Adormecida
O adolescente quer espaço
Videogame na dose certa
A dependência química começa em casa
Por trás do uso da droga, existe um pedido de ajuda
Sexo mais cedo: prazer e perigos
Afinal, com que o adolescente se preocupa?
Os problemas nossos de cada dia: conheça também os do seu filho
"Perder, jamais" - na cultura do sucesso a qualquer preço, como orientar seus filhos

 

 

 



Espiar a vida alheia na TV é isca para jovem

Tenho sido bastante provocada pelos leitores para falar sobre o sucesso dessa onda de programas que expõem a privacidade das pessoas. Vamos enfrentar a conversa, então.
Uma das mensagens que recebi referia-se aos programas de forma bastante agressiva e usava, para tanto, argumentos de uma coluna em que abordei o tema da privacidade. Sim, disse e repito: crianças e adolescentes precisam aprender a construir sua privacidade e, para isso, dependem dos pais e educadores. E é nessa parte que eles estão enroscados, já que os adultos estão bastante confusos a respeito de como conduzir o assunto. Vamos começar com um tema que costuma ser bastante espinhoso para os pais: a sexualidade.
Hoje, é grande o número de adolescentes que se sentem pressionados a prestar contas de sua vida sexual aos pais. Para falar bem a verdade, mais às mães. Recebo inúmeras cartas e mensagens de jovens agoniados pelo fato de acreditarem que devem esse tipo de explicação - e já prevendo as reações que podem enfrentar. O mais interessante é que tal cobrança nunca é explicitada, segundo contam. Que dívida é essa com a mãe, a de não guardar segredos para ela?
No início da vida, a criança não tem privacidade nenhuma: a vida dela confunde-se com a vida da mãe. Mas o crescimento passa a estabelecer uma diferenciação cada vez mais nítida entre mãe e filho. Quando começa a falar, a criança simplesmente adora repetir a palavra não. Ela tem um bom motivo para tanto e para a teimosia dessa fase: ela treina ser diferente da mãe e do que ela quer do filho.
Quando começa a ir para a escola e aprender a ler, a criança tem a chance de ter seus primeiros segredos, a ter vida longe dos olhos da mãe. E como é difícil para a mãe suportar essa separação! Quantas vezes a mãe não espera, ansiosa, o filho chegar em casa para saber as novidades, ouvir como foi o dia da criança? Mas, em geral, os filhos sabem se defender. Interpelados pela mãe a respeito do período em que passou na escola, dão respostas lacônicas: "Foi tudo bem", "Foi legal", "Fiz bastante coisa". Muito bom, ponto para o desenvolvimento! Por isso é uma pena que professores e pais não permitam que a criança continue nesse caminho. Conversas de pais com professores a respeito do que a criança faz ou não faz na escola e em casa invadem o início da vida privada dela, expondo-a totalmente.
De um lado, isso restringe a liberdade que a criança passaria a ter de ser diferente do que os pais querem e imaginam para ela. Mas, de outro lado, a cilada: tal conduta dos adultos transmite uma idéia de segurança - mesmo que falsa- de proteção. E como é natural a criança ter receio de avançar cada vez mais no caminho de ser sozinha na vida, é claro que ela se enrosca nessa armadilha.
E é nessa toada que, quando chega a adolescência e a sexualidade se manifesta claramente na busca de uma parceria, o jovem se atrapalha ao ter de enfrentar sozinho os riscos e as responsabilidades que isso supõe. Nada lhe parece mais natural, então, do que continuar compartilhando os segredos com os pais, com a mãe. Só que a segurança que isso insinua é falsa, e a liberdade de se expressar eroticamente de um jeito próprio fica comprometida.
Os programas que exploram nossa curiosidade a respeito da vida privada dos outros - notadamente a sexual - é uma isca para adolescentes e crianças. Quem já não sentiu vontade de olhar pelo buraco da fechadura para ter acesso ao que fica escondido de nossos olhos? Claro que assistir a tais programas pode não ser legal para a criança; cabe aos pais a decisão de permitir ou não que ela tenha acesso a eles.
É difícil segurar a curiosidade dela? Sim, é. Tanto quanto fechar a porta do quarto dos pais na hora de dormir. Alguns pais são firmes e agüentam o tranco. Outros amolecem e dão espaço na cama à criança. Nesse caso, pais e filhos perdem a privacidade. Ninguém ganha, só perde. E quanto aos adolescentes? Conversar com ele para que tenha acesso a outras interpretações sobre o que vê é fundamental.

Autor: Rosely Sayão. Fonte: Folha Equilíbrio - fevereiro/2002

VOLTAR

 

 

 

 



Imagens irreais - transtornos alimentares: anorexia e bulimia

Diferente da obesidade, em que o dilema central é o excesso de peso, nos transtornos alimentares,
além disso, entram em cena as compulsões e as distorções na autopercepção

A anorexia é um dos mais conhecidos transtornos alimentares, mas não é o único. O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), a bulimia nervosa e a anorexia nervosa são os mais típicos e importantes deles. O TCAP é a ingestão, em um dado período de tempo, de uma quantidade muito maior de alimentos que a maioria das pessoas consumiria no mesmo prazo e em situação similar. Outra característica da compulsão é que a pessoa não tem controle sobre quais alimentos ou quanto consome nesses momentos. Há outros critérios ajudando a definir o quadro: comer mais rápido que o normal, sozinho e secretamente, ingerir grandes quantidades de alimentos mesmo não estando faminto, ter posterior sentimento de repulsa por si mesmo, e experimentar depressão ou culpa por comer dessa forma. Para ser considerado um transtorno, os episódios precisam repetir-se pelo menos duas vezes por semana, durante seis meses.
A bulimia nervosa, a princípio, se assemelha ao TCAP. Ocorrem episódios recorrentes de compulsão periódica, vividos com o sentimento de perda de controle. A diferença é que eles são seguidos de comportamento compensatório recorrente, que se dá por recursos inadequados, como a auto-indução de vômitos, o uso freqüente de laxantes, diuréticos e enemas (lavagens intestinais), com o propósito de evitar o aumento de peso. Já nos casos de anorexia nervosa, existe uma recusa em manter o peso corporal em um nível igual ou acima do adequado. O problema é que existe, por parte da pessoa, um medo intenso de engordar, mesmo já estando com peso abaixo do normal. Além disso, está presente o que os especialistas chamam de perturbação no modo de vivenciar o próprio peso e a imagem corporal. Uma das características da anorexia é a dificuldade em perceber o próprio corpo como ele é na realidade.
A maioria dos casos de transtorno alimentar, especialmente a anorexia, recai sobre as mulheres, sobretudo adolescentes. Se a mulher não for bonita, sensual e não seduzir, como pregam os novos padrões, será tolhida de uma série de coisas. Transtornos como bulimia e anorexia, além da obesidade, seguem-se à perseguição neurótica de padrões estéticos tão rígidos. Em um mundo em que a ditadura estética é regra e quase 100% da população faz ou pensa em fazer dieta, venera o fitness e acha normal uma mulher esbelta querer fazer lipoaspiração, fica difícil perceber os limites da sensatez.
Nos casos de transtornos alimentares, a família é a primeira a notar. Mas, em geral, só depois que a situação fica fora de controle. No início, percebe-se que não se trata mais de um simples regime. Existe quase uma obsessão em perder peso, e um pavor enorme em ganhar qualquer grama; passa a existir um controle absoluto de todas as calorias ingeridas. Para perdê-las, então, vale tudo, desde sessões prolongadas de exercícios físicos até rituais furtivos já citados - provocação de vômito e uso de laxantes. A maior incidência da anorexia coincide com o período da menarca, a primeira menstruação. É o momento em que a menina se depara com a própria sexualidade. O curioso é tanto a anorexia quanto a bulimia desencadearem, como uma das primeiras disfunções, a interrupção da menstruação.
A adolescência é um momento naturalmente conturbado, com a rebeldia e a contestação como marcas, pois é o momento da afirmação da identidade do jovem. O apoio dos pais e o diálogo é a forma mais eficiente de amenizar a transição. Um histórico bastante comum entre as vítimas de transtornos alimentares: muitas meninas perseguem o sonho de uma carreira glamourosa e ligada à beleza arquitetada não por elas, mas por suas mães, desde seu nascimento.
Os transtornos alimentares ainda têm maior incidência nas classes mais abastadas. Mas esse perfil começa a mudar, atingindo a população de baixa renda. Os homens são outras novas vítimas. A diferença é que eles estão mais preocupados em aparentar robustez e força do que em apenas emagrecer. Independentemente do perfil do paciente, o maior obstáculo na superação do problema é sempre a falta de adesão ao tratamento. Informá-los e orientá-los adequadamente pode ser decisivo para mantê-los firmes no propósito da cura. O suporte terapêutico não pode solucionar o problema sozinho. É imprescindível uma assessoria médica e nutricional, no mínimo. Às vezes, a intervenção de um educador físico, principalmente para os fãs da malhação, é altamente recomendada.

Autor: Rose Campos. Fonte: Revista Viver - fevereiro 2002.

VOLTAR

 

 

 

 


Seus filhos preferem ficar com os amigos?

Se a resposta for sim, convém fazer uma boa avaliação dessa situação. Pode ser que seu filho o esteja rejeitando por você ser chato ou por algum outro motivo.
É melhor perceber logo que é um "mala-sem-alça" e mudar do que continuar assim, chato, afastando as pessoas.
E como saber se somos um pai chato?
Fácil. O chato usa várias táticas. Por exemplo, se o filho está se divertindo, ouvindo som, jogando videogame ou falando com alguém pela Internet, o pai escolhe esse momento para lhe cobrar obrigações: "Você terminou o trabalho de Geografia?", "Já arrumou seu quarto?", "Cortou a grama?"
Mas uma tática é infalível: o chato costuma corrigir o filho na presença dos amigos. "Olhe a educação!", "Olhe como come!"
Chamar a atenção de um adolescente na presença da turma é a conduta educativa mais desastrada que se pode adotar. Ele sente como se o pai o estivesse diminuindo na frente dos amigos. Imagine que seu filho o destratasse diante dos executivos com os quais você trabalha. A sensação dele é a mesma. Só que ele não tem a experiência de vida que você tem. Essa é a diferença.
E, para falar a verdade, quem disse que sua experiência - que você considera experiência de vida - é de fato útil a seu filho? Ele é de outra geração, tem outros problemas. Você acha que sabe muito? Sua experiência de vida pode nem valer mais.
Que adianta toda uma experiência em válvula se agora se utiliza chip?
Que adianta ser doutor em carburação se os carros agora são dotados de injeção eletrônica?
Outro chato é o onipotente ingênuo, em geral self-made man, homens que vieram do nada e se fizeram na vida. Usam o método que deu certo em determinada época, cujo desenvolvimento dependeu exclusi-vamente deles. E ficam insistindo em usar esse método hoje, quando a vida é outra. Metódicos e persistentes, esses pais pretendem servir de modelo para os filhos. Têm a convicção de que o que foi bom para eles será bom para os filhos.
Será mesmo? Não adianta deixar um império para o filho se ele foi incapaz de assinar um cheque. Teria valido mais a pena insistir com o herdeiro para que aprendesse a administrar ou ficar mais com a família, em vez de trabalhar tanto.
A maioria dos pais prepara um bom patrimônio para os filhos e se esquece de preparar os filhos para recebê-lo.
Pais lamuriosos e onipotentes costumam dar conselhos, num misto de resmungos, para os ares, porque o público alvo, o filho, já não os escuta: "Você devia aproveitar as oportunidades que tem. Eu não tive nada disso e precisei batalhar muito". Trata-se de uma inadequação de avaliação das diferentes situações. Um tempo: o filho tem pai rico que dá tudo, até o que ele nem pediu. O que era oportunidade num tempo, no outro é simples questão de estado.

Autor: Içami Tiba, em "O Executivo e sua família" - Ed. Gente

VOLTAR

 

 

 

 

 


Como se escolhe uma profissão?

Estar bem informado ou seguir modelos familiares não garante uma opção vocacional acertada

"O que você vai ser quando crescer?" Infelizmente poucos jovens, no Brasil de hoje podem se fazer esta pergunta. As crianças carentes, que sonham em ser médicos, engenheiros, advogados e dentistas, ao iniciar a adolescência, começam a procurar empregos de babá, faxineira e office-boy. Numa idade que, para os mais abastados, é começar a sonhar, para os pobres, é parar de sonhar e começar a lutar pela sobrevivência. Deixar para lá algumas questões básicas da adolescência, como: o que eu gostaria de fazer? O que me realizaria mais? Qual a contribuição do meu trabalho para melhorar a sociedade?
Mas para aqueles adolescentes a quem é permitido sonhar, o processo da escolha também não é fácil. Alguns imaginam que num dia acordarão definidos; outros, que "vai pintar" uma luz em algum momento. Outros procuram soluções mágicas; outros, ainda, pedem para que terceiros - tais como pais ou professores - decidam por eles. Há os que seguem as profissões da moda, ou as profissões que seu grupo de amigos pretende abraçar.
Na verdade, nenhum dos jeitos acima é a melhor saída. A única forma realmente adequada para escolher uma profissão é pensar, e pensar bastante. Pensar em vários aspectos que envolvem esta importante decisão. Por exemplo, conhecer o maior número possível de possibilidades, para que nenhuma profissão fique de fora por desconhecimento. Se informar sobre as profissões, por meio de leituras e conversas, para fazer a opção calcada na realidade e não em distorções e fantasias. Desenvolver o autoconhecimento, isto é, conhecer-se no que "se foi" e no que "se é", para projetar no futuro quem se pretende ser. Informar-se a respeito de como se ''adquire'' uma determinada profissão, qual a escolaridade exigida, quais cursos preparam o profissional e qual o custo da formação. Ficar por dentro de todas as transformações que estão acontecendo na organização do trabalho, em decorrência da globalização da economia e da introdução de novas tecnologias nos modos de produzir.
Mas, mesmo estando bem informado, ainda assim não se chega lá. Escolher é ter que optar por uma dentre algumas possibilidades. Possibilidades essas que até podem ser igualmente atraentes, mesmo que por motivos diferentes. Assim, a escolha pressupõe a existência de dúvidas e conflito, de modo que escolher significa, em última análise, a resolução do conflito. Escolher significa, também, não só correr riscos, mas lidar com a perda. Sempre que se decide por uma escolha, também se decide o que se vai perder. Com todas essas dificuldades tanto racionais quanto emocionais não se pode negar que este tipo de escolha representa um ato de coragem.
A idéia da escolha como um ato de coragem questiona concepções antigas em orientação vocacional. Contesta a noção de que haveriam "formas" pré-estabelecidas às quais o jovem deveria se encaixar, pois sua felicidade e seu futuro estariam em jogo caso não encontrasse o enquadre perfeito. A vocação não pode mais ser entendida como atributo inato (ou mesmo adquirido, mas cristalizado a partir de uma certa idade), que direcionaria o adolescente para determinada ocupação. Este conceito, definido pelos dicionários como "predestinação", hoje está sendo questionado pela realidade mutante do mercado de trabalho: cada vez mais o indivíduo deve se apresentar "poliapto" se quiser concorrer no mercado com igualdade de condições. Cada indivíduo é único, assim como as suas capacidades, que estão em construção permanente e, por isso, podem ser aperfeiçoadas e até mesmo modificadas. Ninguém nasce para determinada profissão: todos os indivíduos, a princípio, estão em condições de aprender as habilidades necessárias para qualquer profissão.
Numa sociedade tecnologicamente cada vez mais complexa e mutante, e com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, a escolha profissional não é uma tarefa fácil para o adolescente. Vencer este desafio exige do jovem uma reflexão criativa sobre o "eu no mundo" - a sua singularidade frente à realidade externa. Como educadores, não basta sermos somente fonte de informações. Como pais, não podemos mais esperar que os filhos alcancem a felicidade seguindo os nossos modelos. Só ajudaremos os adolescentes no intrincado desafio da escolha vocacional se respeitarmos profundamente todos os seus passos no caminho a uma escolha livre e consciente.

Autor: Silvio Bock - Pedagogo, Mestre em Educação pela Unicamp, especializado em orientação profissional.

VOLTAR

 


 

 



Muitos pais continuam a se comportar como na história da Bela Adormecida

Para mim, a Bela Adormecida é uma história em que toda tragédia acontece porque os pais da princesinha teimavam em acreditar que deveriam afastar todo o mal para longe da menina. Mais ainda, estavam convencidos de ter poderes suficientes para isso. O pior é que eles viviam repetindo a mesma bobagem, como se não fossem capazes de aprender com a própria experiência.
Pois veja: para o batizado da menina deixaram de convidar a velha bruxa, porque ela era feia e malvada, e eles achavam que a feiúra e a maldade não podiam fazer parte da festa. Mas, como essas coisas fazem parte da vida, a bruxa invadiu o palácio mesmo sem convite. E, para vingar a afronta recebida, lançou uma maldição sobre a criança..
Mas a bem-intencionada bobeira dos pais foi ainda mais longe. Ao ouvir da bruxa que a princesinha, aos quinze anos, iria ferir-se gravemente com uma roca de fiar, o que fez o pai? Mandou banir do reino inteiro as rocas de fiar. Como se algum pai, por mais rei e poderoso que fosse, tivesse o poder de afastar dos filhos as coisas que são capazes de feri-los, de lhes fazer mal. Ainda mais aos quinze anos.
O que aconteceu, então? Tinha sobrado uma roca com seu fuso, no alto de uma velha torre onde vivia uma fiandeira, solitária e isolada. A princesa, chegando casualmente à torre, ao se deparar pela primeira vez com aquele estranho objeto, ficou muito curiosa, pegou nele de mau jeito e furou o dedo. Conforme, aliás, todo mundo já sabia, há muito tempo, que iria acontecer.
Não seria mais sábio o rei se tivesse alertado a menina para o perigo que aqueles objetos representavam para ela, e ensinado sua filha a se defender, em vez de tentar negar a própria existência de rocas e fusos? Talvez, se pudesse saber do risco que corria, a princesa teria sido mais cuidadosa e até evitaria o acidente.
Eu acho que muitos pais e mães de hoje continuam a se comportar como os pais da Bela Adormecida, como se não tivessem entendido a história.

Autor: Lídia Rosenberg Aratangy, em "Doces Venenos".

VOLTAR

 

 

 

 

 


O adolescente quer espaço

Entrevista com a psicoterapeuta Lúcia Guimarães Monteiro para o boletim "Ministério da Saúde Informa".

MSI - Quando se começa a perceber que a criança passa a ser adolescente?
Lúcia Guimarães Monteiro - É difícil perceber as mudanças quando a gente convive com os adolescentes. Os sinais se diferenciam de pessoa para pessoa: barba, voz, corpo se modificando, contestação e até mesmo o silêncio e o distanciamento.
MSI - Como os pais agem com essas mudanças físicas e de comportamento?
LGM - Ficam assustados. A partir daí, criam expectativas e preocupações, geralmente voltadas a questões sexuais, ao virtual uso de drogas e o medo da violência. Neste momento os pais reeditam sua própria adolescência, o que é um erro.
MSI - Por quê?
LGM - Eles passam a se enxergar nos filhos, ou seja, em outras pessoas, que, apesar de filhos, não são eles. São outros seres, que vivem em época diferente, que têm experiências próprias, que muitas vezes não são as mesmas dos pais.
MSI - Então, de que servem a experiência e a vivência dos pais?
LGM - Servem muito. Os pais são fundamentais no crescimento moral e intelectual dos filhos, mas não podem confundi-los consigo mesmos. Pais são orientadores de vidas, mas nem sempre isso funciona. Vou dar um exemplo: se o pai foi sacana com as meninas na adolescência, logicamente que ele vai ficar preocupado com a sua própria filha. Veja bem, ele acha que o rapaz interessado na filha dele vai proceder como ele procedeu com a filha dos outros. Esta forma de agir, mais cedo ou mais tarde, vai acabar em conflito familiar.
MSI - Qual é a principal causa dos conflitos entre os adolescentes e os seus pais?
LGM - O adolescente, como um ser em mutação, quer se auto-afirmar. É natural. Para isso, ele nega os pais. Ele precisa mostrar-se independente à sociedade. Mostrar ser dono do seu nariz. Só que ele não tem experiência de vida. Não sabe como anda a carruagem, e muitas vezes se perde. Alguns buscam as drogas, a bebida e a violência. A violência do adolescente, até mesmo a do adulto, tem como combustível o medo. Esse medo gera conflitos, que muitas vezes são dimensionados ou não. O adolescente luta por espaço. Fecha a porta do quarto para as pessoas da casa, não tolera muitas perguntas, não tem paciência com os irmãos mais novos e os professores e critica tudo e todos. Esta forma de proceder é a forma que ele encontrou para conquistar seu espaço. Muitos pais, apesar de amar seus filhos, não compreendem isso, porque geralmente estão muito envolvidos com eles e, além disso, estão assustados.
MSI - O que a senhora diz em relação ao crescimento e ao amadurecimento do adolescente para enfrentar a vida adulta?
LGM - Há adolescentes que querem crescer e adolescentes que não querem. Como há também adultos que continuam imaturos, apesar da idade. O adolescente que quer crescer exige muito porque quer construir. Para construir, ele precisa desconstruir. Essa descontrução começa com a negação dos pais, num primeiro momento, e, num segundo, com a negação dos valores aprendidos em casa, na escola ou na igreja. Isto não quer dizer que, quando adulto, esse adolescente não volte às suas origens. Aliás, é o que mais acontece, pois, do contrário, a sociedade não teria valores perenes, e ela os têm. Já o adolescente que não quer crescer é o que, geralmente, não quer ou tem medo de ter responsabilidades. Ele quer a segurança, que a idade ainda lhe proporciona, para sempre. Tem medo do mundo adulto, pois, mesmo sem experiência, percebe que o mundo dos adultos é intrincado e muitas vezes pode ser cruel.
MSI - Como auxiliar o filho adolescente para que ele cresça sem grandes problemas?
LGM - Não existe uma receita para isso. O adulto tem que descobrir uma senha para entrar no mundo do adolescente. Tem que dialogar e ter compreensão. Obviamente que tudo tem limite. O pai e a mãe não devem permitir que o adolescente, por rebeldia ou falta de educação, tripudie com todo mundo. E é salutar que ele entenda que muitas vezes a vida não é como ele pensa ou como ele quer. O adolescente, muitas vezes, vê os pais como objetos para servi-lo. Só que a vida não é assim.
MSI - Defina a adolescência.
LGM - A adolescência, em síntese, é o momento de descontrução. Todo momento de descontrução é uma mudança de identidade.

VOLTAR

 

 



Videogame na dose certa

Já aconteceu de você perguntar a seu filho "foi bem na escola?", e ele começar a falar sobre outra coisa qualquer? Escute, então, o que ele está dizendo, dê-lhe um pouco de atenção, depois insista na pergunta. Talvez o que ele tenha para contar seja mais importante para ele do que ir bem na escola. Ele está crescendo e o estudo é um dos aspectos dessa fase.
O pai tem de se interessar também por outras áreas da vida do filho. Esses critérios de importância dependem de cada filho, porque cada um é um e às vezes aquilo a que o pai não dá muito valor o filho considera importante (e vice-versa).
Suponha que você sempre tenha desejado jogar tênis e seu filho manifeste interesse pelo esporte. Os pais tendem a achar que os filhos vão realizar seus sonhos. Assim, você pode empolgar-se tanto a ponto de comprar a raquete do Guga e ficar esperando que ele corresponda a seu sonho e se torne um campeão. Talvez seja apenas um interesse passageiro. Algo que seu filho quer experimentar, como muitas outras coisas.
Os pais não têm como avaliar se é interesse temporário ou algo em que vale a pena investir, pela possibilidade de trazer benefícios à profissão ou tornar-se a própria carreira dele. Exemplo: seu filho quer jogar videogame. Brincadeira globalizada, tudo bem!
Sendo assim, mesmo que o interesse de seu filho seja pela Internet, nem tudo está perdido. Nada mais natural que ele prefira ficar ali: é um mundo muito mais gostoso que o do estudo.
Para que a Internet não vire vício (só quer a Internet, em detrimento de outras atividades), é importante que seja dosada. Você tem de ajudá-lo a se organizar. Além de diversão, de fonte informativa e interativa com outros aficionados, a rede pode estar capacitando (informalmente) seu filho para o futuro.
Já que você é um homem de resultados, considera o estudo inegociável. Seu filho não vai deixar de estudar, e acabou a conversa. Estudar é a obrigação dele, como a sua é trabalhar. Dedicando-se a sua responsabilidade, então terá suas recompensas.
Se ele não gosta de estudar, então que estude o mínimo possível todo dia. Para evitar que estude tudo na véspera da prova e não apresente bom resultado.
Insisto: sente-se no final do dia e escute seu filho falar sobre o que estudou. Pode fazer-lhe perguntas, participar... É dessa maneira que o adolescente vê utilidade no estudo e descobre o prazer de saber.
O grande lucro desse novo método é que o filho aprende a comunicar com suas próprias palavras o que sabe. Não adianta nada ele saber coisas que não consegue comunicar. Você já viu como os adolescentes em geral têm dificuldade de expressar o que pensam? Mas o melhor mesmo é que você está passando a seu filho um grande poder: ensinar! É disso que seu filho precisa: sentir-se poderoso. É um bom e seguro investimento para seu futuro. Pela ordem natural da vida, você vai envelhecer antes que seu filho e depender dele. Então é bom que desde já ele vá exercitando esse poder...
Falar em ajudá-lo a se organizar dá a impressão de que o caminho é fazer um quadro de horários prevendo o tempo que será destinado a cada atividade. E quem irá cobrar a realização do que foi estabelecido?
Diz um ditado caipira: "O burro, a gente pode puxar até a água, mas quem bebe é ele".
Ele pode estudar até cinco horas por dia, mas, se não conseguir dar a aula, algo está errado. Talvez o método seja ineficaz e precise de ajuda.

Autor: Içami Tiba, em "O executivo & sua família" - Editora Gente.

VOLTAR

 

 


A dependência química começa em casa

Muitos dos dependentes químicos iniciaram seu relacionamento com as drogas exatamente no lugar onde se suporia que estariam mais seguros: dentro de casa. Na realidade, de acordo com a Dra. Sandra Schivoletto, psiquiatra, Coordenadora Executiva do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas e Responsável pelo Ambulatório de Adolescentes e Drogas do Departamento de Psiquiatria da USP, e com o psicólogo clínico Fernando F. Tavares de Lima, Diretor Clínico do Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia, é em casa, em família, que as crianças aprendem como se relacionar com as substâncias químicas. Não há dúvidas de que as crianças e os adolescentes que iniciam o uso de remédios e drogas ilícitas vêem no exemplo das pessoas mais velhas uma atitude a ser imitada.

Se, para cada problema, existe uma solução química, a dependência química é a decorrência natural
O problema, segundo os profissionais, é que muitas famílias adotam um modelo de comportamento permissivo em relação às substâncias químicas, utilizando-as como alternativa para a solução imediata de suas angústias. Até o fim da infância, os pais são vistos como referência do que é certo e somente na adolescência, quando passam a ter contato com outros modelos de comportamento, é que começam a questioná-los. Mas é na infância que o indivíduo estabelece sua forma de lidar com o mundo, com as angústias e as emoções. Dra. Sandra usa como exemplo o pai que chega em casa e, estressado, toma um whisky, ou a mãe que usa um calmante, como o Lexotan ®, para relaxar. Isso resulta em um modelo de que para qualquer problema, uma substância química é uma solução rápida.
"Não se cria o hábito de, em família, conversar para resolver os problemas: toma-se logo um remedinho, bebe-se uma bebidinha, para qualquer coisa."

Automedicação: exemplos que passam a mensagem errada
De acordo com a médica, famílias que se automedicam têm mais chances de que seus filhos abusem de drogas tanto lícitas quanto ilícitas. Um exemplo clássico é o do uso de vitaminas para abrir o apetite, quando a criança não quer comer. A mensagem passada para a criança está errada. Quanto a isso, o psicólogo Fernando complementa que um dos expedientes utilizados com muita freqüência para abrir o apetite é o tradicional Biotônico Fontoura ®, xarope que, segundo ele, possui 9% de teor alcoólico, contra 4 ou 5% das cervejas.
Não se pode esquecer ainda que há remédios que são feitos para crianças, embora contenham componentes tóxicos bastante fortes. As crianças descobrem a "farmacinha" doméstica e vão em busca daqueles remédios "gostosinhos" como, por exemplo, alguns xaropes com gosto doce ou mesmo alguns comprimidos que parecem balas. "Os pais ou responsáveis devem ter o maior cuidado no armazenamento de remédios em casa. Não se pode deixá-los à mão de crianças: nunca é demais lembrar que remédios são drogas e devem estar guardados em locais fechados, fora do alcance dos pequenos", alerta o psicólogo.

O imediatismo típico da adolescência
Junta-se a este modelo familiar descrito pela psiquiatra uma das características mais típicas dos adolescentes: o imediatismo. Com estes ingredientes está criado o ambiente onde a dependência química se instala. "O adolescente está preocupado com o agora, e não com o daqui um ano. Em um modelo familiar deste tipo, ele não aprendeu a lidar com a tristeza, o cansaço, a frustração. Para aliviar seus problemas, aprendeu que a saída é tomar um comprimido, beber alguma coisa, ou qualquer outra solução imediata que dê prazer e/ou alívio."
A psiquiatra Sandra lembra que crianças e adolescentes não aprendem com discurso, mas com comportamento, exemplo, coerência. E aí entram uma série de aprendizados indiretos, muitas vezes não relacionados com as drogas em si, mas que fazem parte deste modelo. "De nada adianta ensinarmos na escola as regras de trânsito se, depois, o pai passa no sinal vermelho na frente do filho: falta coerência na educação familiar. Ela ensina que o diálogo é o modelo que precisa ser implantado no ambiente familiar.
Para estar tranqüilo em relação ao que espera dos hábitos do filho no futuro, plante isso com ele desde o início. Não espere que ele lhe conte o seu dia se você não lhe conta o seu.

Fonte: - www.boasaude.uol.com.br

VOLTAR

 

 

 

 


Por trás do uso da droga, existe um pedido de ajuda

Um dos problemas mais sérios nos dias de hoje é a enorme quantidade de adolescentes que têm contato com drogas. Segundo pesquisas de órgãos oficiais, como o CEBRID, aproximadamente 80% dos adolescentes até a idade de 16 anos já tiveram experiência com droga.
Isso parece distante de nós, até que uma situação geralmente dramática denuncia que nosso filho está usando alguma droga. O que fazer? E mais: o que fazer para que isso nunca aconteça?
Geralmente, o que percebemos em nosso consultório é um despreparo muito grande por parte dos pais, com relação a esse assunto. Sentindo-se agredidos e desrespeitados, desesperados em tirar imediatamente os filhos do contato com as drogas, tomam atitudes agressivas e intempestivas, que naturalmente vão piorar muito mais a situação. Muitos adotam posturas punitivas, proibindo seus filhos de quase tudo a partir daquele momento, além de castigos. E o que podem ganhar é uma animosidade e um distanciamento ainda maior com os filhos, perdendo qualquer possibilidade de ajudá-los. Ao contrário, essas atitudes certamente vão levar o filho - que talvez estivesse em sua primeira experiência com determinada droga, que poderia passar despercebida e ser logo descartada - a uma atitude de reforço negativo, do tipo: "Já que me acham um drogado, agora vocês vão ver..."
Bem, e o que fazer: sermos coniventes e simplesmente fingirmos que nada está acontecendo? Naturalmente não. É nesse momento que nossos filhos mais precisam de nós!
A primeira atitude, antes de qualquer movimento, é tentar compreender o que está por trás do uso da droga. Seria mera curiosidade, necessidade de fazer o que os outros jovens estão fazendo, pressão do "grupo" ou uma crise depressiva da adolescência (ao lado da curiosidade, esta é uma das maiores causas)? Indolência, preguiça, sonolência, irritabilidade podem ser sinais de depressão do adolescente.
Além de compreender o que está "patrocinando" o uso, temos que saber em que "degrau" da relação com a droga nosso filho está. Estaria no primeiro degrau, do uso esporádico? No segundo, do uso ocasional? No terceiro, do uso habitual? Ou chegou ao último degrau, o da "dependência química"?
Para cada degrau, uma determinada atitude ou conduta deve ser tomada. Para ser mais claro: ficaríamos tremendamente revoltados se quisessem nos internar ou nos chamassem de alcoólatras pela nossa cervejinha ou pelo nosso whisky!
Nós nunca erraremos se tivermos uma atitude compreensiva, tirando da intimidade soluções que abrem portas de diálogo e janelas afetivas que estavam fechadas, criando uma nova ordem do relacionamento familiar. Isso só será possível se conhecermos muito, mas muito mesmo, sobre o assunto "Drogas". Dessa forma, nosso diálogo será fortalecido, uma vez que não teremos posições preconceituosas ou ignorantes. Nossas opiniões serão corretas, esclarecidas e fundamentadas.
Mas o maior e mais importante quesito nessa questão é o amor a nossos filhos. Ele precisa ser demonstrado e vivido (e não simplesmente falado).
Independente da fase pela qual eles estejam passando, ou do que estejam usando, fazendo ou acreditando, eles precisam saber e sentir que seus pais os amam e vão fazer de tudo para ajudá-los.
Não esqueçam de que a maioria dos jovens é fisgada pelo alívio que a droga produz e não pelo prazer.
Por trás do uso da droga, existe um grito surdo de socorro, um pedido de ajuda.

Algumas dicas:

- A maioria das experiências ocorre junto aos amigos.
- Quem oferece a droga é geralmente um amiguinho, colega de seu filho.
- Por isso, conheça e interaja com os amigos de seu filho .
- Esteja atento a alterações de comportamento e humor.
- Não tome atitudes "policialescas".

Autor: Dr. Pérsio Ribeiro Gomes de Deus - médico psiquiatra e psicoterapeuta, especialista em doenças afetivas. Coordenador Técnico do DENARC na área de prevenção ao uso de drogas e conferencista com atuação destacada nos meios de comunicação, em especial, a televisão.

VOLTAR

 

 

 

 



Sexo mais cedo: prazer e perigos

Entre os 10 e 12 anos, mais ou menos, meninos e meninas começam um período de grandes transformações: a puberdade.
Adeus infância! Essa é a mensagem que a adolescência traz para os jovens. Época de enfrentar grandes perdas: de um corpo conhecido, da segurança e proteção que significava ser criança. Essas perdas geram temor, insegurança, medos. Mas a adolescência é também uma época de ganhos muito, mas muito interessantes mesmo. Principalmente para eles. Nem tanto para os pais... A sexualidade na forma adulta, por exemplo!
Impossível falar do adolescente sem falar na sexualidade, que é uma das coisas mais importantes nessa fase da vida. Os hormônios, que trabalham a mil por hora, geram tesão, provocam desejos. O que fazer com tudo isso?
Tempos atrás não havia dúvida alguma: reprimir, frustar, censurar, ignorar. Mas hoje tudo ficou diferente. Moramos nos trópicos e a sensualidade vive à flor da pele: isso não é mais ignorado. No verão, quase tiramos toda a roupa: isso não é mais considerado imoral. Na TV, nos jornais e revistas, nas propagandas, nos filmes, nos teatros, na música, enfim, em todos os meios de comunicação, a sexualidade está escancarada: isso não é mais censurado. E então, quais conseqüências isso gera nos jovens?
Terá uma garota ou um garoto, aos 12 anos, maturidade para praticar o sexo, para decidir, para ser responsável por essa atitude? Dificilmente. Mas é o que eles estão fazendo: dependendo da camada social, iniciam a vida sexual entre 11 e 15 anos, mais raramente 17-18. Resultado?
Terá um adolescente, aos 12 anos, maturidade para praticar o sexo, para decidir e ser responsável por esta atitude?
Os números mostram: nos últimos 20 anos, o índice de natalidade caiu no Brasil em todas as faixas etárias, com exceção de uma: dos 14 aos 19 anos. Garotas mamães é o que temos. Isso sem falar nos números que desconhecemos: o de garotas que nessa idade praticam o aborto. E a AIDS, então? Calcula-se que, pelo menos, um terço dos aidéticos tenha se contaminado na adolescência.
Bem, e como ajudar o adolescente a ter uma visão positiva e responsável da sexualidade no meio de tanto barulho? Não esqueçamos que educação sexual todos eles tiveram, desde que nasceram. Não, educação sexual não é só o que se fala para os filhos sobre sexo, mas também todas as atitudes e comportamentos dos pais frente ao assunto. E o jovem vai agir, em sua vida sexual, como age frente à vida em geral. Criamos os filhos sem limites? Eles vão ter dificuldades com os limites da vida sexual também. Criamos filhos que não sabem esperar? Eles não vão ter paciência para esperar a hora certa para transar. Criamos filhos que não sabem respeitar as leis? Eles não vão respeitar as leis da vida sexual também. Preparamos os filhos para enfrentar as dificuldades da vida? Eles vão ter mais facilidade para enfrentar as dificuldades que possam ter na vida sexual, e mais facilidade de acesso ao prazer.
Muito difícil os pais enfrentarem a parada? Sim, especialmente difícil em tempos de AIDS. Mas não impossível. Tarefa para pais, educadores, profissionais de Saúde, adultos em geral. Mas sem terrorismo, que isso nunca serviu para inibir qualquer tipo de comportamento, sabemos todos.
O sexo é uma função natural na vida das pessoas e deve ser vivido com prazer. Aliás, é isso o que todos procuram na vida sexual. Para tanto, é preciso que os preconceitos, os tabus e os medos sejam superados. Isso, mais a criação da responsabilidade pessoal pelo bem-estar afetivo/sexual, podem permitir que o jovem experimente, ouse, inove e conteste até chegar à maturidade. Com mais segurança. Com menos riscos e conseqüências ruins.
O primeiro passo é abrirmos um diálogo franco sobre o assunto com os jovens. Sem meias palavras. Com respeito, bom humor, alegria e seriedade. Sem moralismos, sem hipocrisias. O segundo, o respeito a essa fase deliciosa e difícil da vida que eles vivem, que é a adolescência. Finalmente, uma atitude de firmeza no exercício do respeito às leis da vida social, coletiva e pessoal.
Desse modo contribuímos para que os jovens possam chegar aos próprios valores sobre a vida afetiva e sexual, para que tenham espaço para contestar regras, mas sabendo respeitar as leis. Essa é a melhor maneira de viver a vida sexual.

Nosso desafio: encontrar os caminhos dessa educação nessa época de mudanças. Vamos enfrentar?

Autor: Rosely Sayão. Revista Pais & Teens, nov/dez/jan/96-97.

VOLTAR

 

 

 

 


Afinal, com que o adolescente se preocupa?

É comum os adolescentes viverem trancados no quarto com o som ligado e olhando para o teto. Os pais muitas vezes se perguntam sobre o que seus filhos estão pensando. Os professores, por sua vez, deparam-se com jovens desmotivados e olhares vagos, muito distantes da sala de aula. A questão é: como alcançá-los?
Entre as muitas teorias sobre a adolescência, a de Robert Havighurst parece esclarecer alguns pontos. Segundo esse autor, existe uma série de tarefas evolutivas que devem ser cumpridas ao longo da adolescência.

Primeira tarefa: aceitação do próprio físico e do papel masculino ou feminino. As modificações físicas que ocorrem nesse período causam bastante ansiedade nos jovens, gerando instabilidade psicológica. A tensão pode ser reduzida com a orientação de um adulto.

Segunda tarefa: manter novas relações com os companheiros da mesma idade. Os adolescentes precisam conversar com colegas de ambos os sexos, passar a expressar seus pensamentos e sentimentos e a socializar-se cada vez mais. No início da adolescência, são comuns as amizades com pessoas do mesmo sexo. Só no final dela é que se estabelece um maior número de amizades com as do sexo oposto. A participação em atividades extra-classe pode servir como um importante meio de desenvolvimento social, principalmente para os mais tímidos.
Terceira tarefa: obter a independência dos adultos. Na adolescência, os jovens precisam se afastar emocionalmente de seus pais para poderem se encontrar. Em muitos casos, essa separação gera culpa e insegurança, tanto nos pais quanto nos filhos. Já os professores podem, muitas vezes, ser escolhidos como um modelo de adulto, com o qual o jovem quer se identificar. Outras vezes, porém, também enfrentam um certo afastamento de seus alunos. É um processo longo de se afastar para depois voltar a se encontrar. Cabe aos pais e educadores aguardar e mostrar que estarão por perto sempre que o jovem necessitar.

Quarta tarefa: obtenção da independência econômica - muito difícil de cumprir atualmente. Os pais e educadores podem ajudar os jovens a refletir sobre as condições da sociedade atual e a verificar quais são suas expectativas.

Quinta tarefa: escolha de uma ocupação e preparo para ela. Tanto os pais quanto os educadores podem ajudar, levando os jovens a se conscientizar sobre a importância do momento da escolha profissional, facilitando-lhes o acesso ao maior número possível de informações, por meio de livros, entrevistas com profissionais, palestras etc. Os jovens precisam do máximo de compreensão, pois as dúvidas são muito comuns nessa fase.

Sexta tarefa: desenvolvimento de habilidades intelectuais e de conceitos necessários para a competência como cidadão. A escolha de uma boa escola e uma reflexão dos pais sobre quais valores estão passando aos filhos já seriam suficientes.

Sétima tarefa: desejo e obtenção de comportamentos socialmente responsáveis. Diante das mudanças constantes nos valores, quais seriam os comportamentos socialmente aceitáveis? Será que aquilo que é aceito é bom e válido?

Penúltima tarefa: preparação para o casamento e para a vida em família. O primeiro modelo dos jovens é a sua própria família e a maneira como seus pais se relacionam e se comportam. A pergunta é: está-se dando um bom exemplo para o jovem? De que maneira a escola pode trabalhar os conceitos de vida em família?

Última tarefa: formação consciente de uma escala de valores em harmonia com a visão científica do mundo. A sociedade passa por transformações concretas e assustadoramente rápidas. Qual o peso da família nesse processo? E da escola?

Segundo Havighurst, a realização das tarefas evolutivas deve ser considerada como uma indicação de que a idade adulta e a maturidade já chegaram. Mas o mais importante é que, no contato com adolescentes, tem-se a oportunidade de refletir sobre as próprias escolhas, valores e atitudes e sobre o que é produtivo e enriquecedor para todos.

Autor: Eliza Helena Ercolin. Fonte: www.educacional.com.br

VOLTAR

 

 

 

 



Os problemas nossos de cada dia: conheça também os do seu filho

O mundo dos adultos é complexo, cheio de problemas para resolver, batalhas para ganhar e desafios para vencer. As atribulações no trabalho, em casa e até mesmo o estresse das atividades que deveriam ser prazerosas (como as férias ou os feriados, por exemplo) muitas vezes fazem com que as pessoas se sintam tão cansadas e envolvidas nos próprios problemas que até parece que as dificuldades dos outros são pequenas, de menor importância.
Se os adultos costumam pensar dessa forma a respeito dos problemas e das dificuldades de outros adultos, imagine, então, o que pensam a respeito dos dilemas e das dúvidas de crianças e adolescentes. Frases como "Eu, com tantos problemas para me preocupar e você me vem com essas bobagens!" ou "Esse tipo de preocupação é falta do que fazer; espere você crescer mais um pouco e aí, sim, você vai ver o que é problema de verdade" são ditas com grande freqüência pelos pais. Na escola, os assuntos considerados realmente sérios são aqueles relacionados à aprendizagem e à conduta do aluno (principalmente quando seu comportamento causa alguma perturbação à ordem da escola). Os problemas relativos às amizades que estremecem, às angústias típicas da adolescência, aos esforços para corresponder a um ideal de beleza valorizado pelo grupo social ou às incertezas quanto ao futuro profissional geralmente são tratados como "fases passageiras", problemas menores ou, simplesmente, como bobagens de crianças.
Não é de se estranhar, diante disso, que os adultos reclamem tanto do distanciamento de filhos e alunos e da recusa deles em "se abrir" e em contar o que lhes acontece. As maiores e mais freqüentes reclamações de crianças e adolescentes em relação aos adultos mais próximos se referem ao descaso com que são tratados quando falam de coisas que são realmente sérias para eles. Aos olhos do adulto, por exemplo, o desespero da garota de 14 anos que vê seu namoro acabar é um fato corriqueiro, uma reação exagerada diante de um namorico sem importância. Para ela, porém, é um drama realmente importante, pois esse pode ter sido seu primeiro envolvimento sério, sua primeira paixão, e ela ainda não descobriu formas de lidar com a desilusão e o rompimento de um relacionamento. Se essa garota recorre à sua mãe para contar o que aconteceu e recebe como resposta que tudo o que ela está sentindo é uma bobagem e que em uma semana ela sequer vai lembrar do que aconteceu, o que se pode esperar que ela faça da próxima vez que tiver algum problema?
As fases difíceis costumam deixar as pessoas um pouco insensíveis aos problemas e dificuldades dos outros. O pouco caso com as questões da infância e da adolescência, porém, é uma atitude de causas e conseqüências diferentes. Quando o adulto deixa de considerar com a importância devida as dificuldades da infância e da adolescência, ele abre um abismo entre si e seu filho ou aluno. Mais que isso, coloca-se em uma posição de superioridade que bloqueia as tentativas de aproximação, tornando o diálogo difícil e o relacionamento, truncado.
Por isso, da próxima vez que um adolescente ou uma criança vier contar a você algo de sua vida, um problema que o incomoda, por exemplo, resista à tentação inicial de desconsiderar o fato e dar uma longa lição de moral sobre o que é realmente um problema importante. Ouça o que essa pessoa tem a dizer e procure se colocar no lugar dela, com a idade que ela tem e na situação que ela está vivendo. Você vai perceber como a vida propõe desafios crescentes ao longo da existência de cada um e que a importância dos problemas não pode ser medida pela idade. Somente assim você poderá ajudar, de verdade, aquela criança ou adolescente que lhe procurou pedindo auxílio.

Autor: Andréia Schmidt - psicóloga, especialista em psicologia clínica. Fonte: www.educacional.com.br

VOLTAR

 

 

 



"Perder, jamais" - na cultura do sucesso a qualquer preço, como orientar seus filhos

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Arre! Estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?"
Fernando Pessoa, Poema em linha reta

O poeta português sabia das coisas! Você, pai ou mãe, que vive mergulhado em seu mundo profissional, reconhece que estamos cercados de semideuses. É um mundo voltado para o sucesso, a qualquer preço. O trabalho lhe diz isso, a TV, os jornais e as revistas também. Para qualquer direção que olhemos, a imagem do sucesso tem que estar presente. Nunca se teve tão pouco dinheiro e se ostentou tanto!
Como pais, é importante refletir sobre esse mundo que aí está e buscar um posicionamento mais adequado diante de determinadas situações vividas por seu filho. Ou o fazemos agora, quando ainda há tempo, ou perderemos o bonde e perpetuaremos a cultura do sucesso a qualquer preço.

De boas intenções o inferno está cheio...
Os pais sempre agem imbuídos das melhores intenções. Num mundo tão competitivo como o nosso, como não preparar as crianças e jovens com eficiência? Como deixar de cumprir o papel de dar todos os instrumentos para que os filhos se saiam bem no futuro? Nada mais justo, sem dúvida.
Porém, há uma diferença entre oferecer os meios, incentivar, agir com sensibilidade e esperar que, a qualquer custo, as crianças se dêem bem.
Inúmeras vezes os pais não percebem o alto grau de expectativa que possuem em relação aos filhos. Demonstram-no no jogo de futebol do campeonato da escola, nas notas do boletim escolar e, até mesmo, nas brincadeiras entre seus filhos e demais crianças. Eles se transformam em espelhos, como se os pais quisessem ver nas crianças seus sonhos não realizados. Nada mais aterrador e sufocante para o garoto ou garota! Como dar conta do que esperam?

Lidar com as frustrações
Não bastasse o sentimento de impotência por parte da criança (que, naturalmente, quer agradar), quando os pais agem dessa forma, eles se esquecem de três questões fundamentais.
Em primeiro lugar: aquele princípio que diz que os filhos são do mundo, que por mais que desejemos orientá-los, temos um limite. Ultrapassá-lo é invadir o espaço do outro.
A segunda questão refere-se ao fato de que lidar com perdas é lidar com a frustração, coisa absolutamente necessária para a vida.
Indivíduos que desconhecem frustrações e não sabem como administrá-las estão totalmente despreparados para a vida pessoal e profissional.
Não têm equilíbrio, eixo, flexibilidade. Não enxergam a si mesmos, nem aos outros. Desconhecem seus limites, pois só vêem a ponta do seu nariz.
Por último, uma questão profundamente ligada às anteriores, que reside no fato de que a perda, bem trabalhada, traz crescimento, provoca alterações de rumo e torna o ser humano mais fortalecido e criativo. Pronto para o que der e vier. É do conhecimento de todos que os momentos difíceis abrem caminhos jamais imaginados. Por que não ensinar isso às crianças desde cedo?

Seres de carne e osso
Nunca foi tão importante fazer com que os filhos enxerguem seus limites. Há, hoje, uma profunda falta de humildade, de reconhecimento de que não somos super-heróis e de que não damos mesmo conta de tudo. Mas os filhos precisam que os pais também mostrem suas fragilidades, suas necessidades, sua incompetência para fazer algumas coisas. Se os pais não começarem a apontar suas limitações claramente, das financeiras às emocionais, jamais conseguirão mostrar às crianças o que é batalhar duramente pela vida. A conseqüência? Adultos despreparados para o mundo e suas vicissitudes. Percebeu o que ocorre? Exatamente o inverso do que esperavam: o sucesso.
Talvez o segredo esteja no equilíbrio de tudo. Possivelmente temos que dar os instrumentos necessários e orientar os filhos para que estes instrumentos sejam usados de forma digna, em benefício de si próprio e do outro.
A competitividade existirá sempre. A questão não é eliminá-la, pois isso é impossível. O desafio é lidar com ela de forma limpa, ética, sem prejuízo do outro. No jogo do ter e do ser, embora o primeiro, no momento, esteja ganhando, cabe aos pais reverter o placar.

Autor: Norma Leite Brandão, pedagoga e educadora da VERCRESCER Assessoria Educacional.

VOLTAR

 

Saiba Mais