Escolas entram na luta contra obesidade
Fonte: O Estado de S.Paulo, Caderno Vida – Educação, 15/3/2010.

Algumas chegam a impedir que aluno coma o lanche se não for saudável; para endocrinologista, porém, bons hábitos em casa são fundamentais

Com a obesidade infantil atingindo a marca histórica de 15% das crianças brasileiras, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, muitas escolas resolveram entrar na luta para deter a epidemia. Mas, no esforço de ensinar os alunos a terem uma alimentação saudável, alguns colégios acabam adotando medidas polêmicas, como proibir e até "confiscar" certos lanches.
Modelo. Por mais que a escola se esforce, a criança não criará hábitos saudáveis sem a contribuição dos pais, afirma a endocrinologista Angela Spinola e Castro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "A escola não pode transferir para si um papel que não é dela. Se a criança vem de uma casa onde as pessoas comem sem restrição, não vai aceitar isso", diz.
Angela defende a discussão na escola e em casa sobre o que se deve comer, mas é contrária a proibições. "Não temos como proibir. Esses alimentos existem e há um marketing forte. O "não" pode deixá-los ainda mais atrativos."
Especialistas alertam que não é raro as crianças aceitarem na escola alimentos que recusam em casa. "No colégio é tudo muito lúdico", diz Silvia Stéfano, coordenadora da escola Augusto Laranja, em Moema. Desde os primeiros anos, aulas de culinária estimulam a curiosidade e a experimentação. Mas o trabalho exige paciência. "Tem criança que chega com nojo. Precisa de uns três meses pegando, espremendo e cheirando até começar a experimentar."
PRESTE ATENÇÃO
Até os 6 meses, o bebê só deve tomar leite materno. Os médicos recomendam não dar nem água para as crianças até essa idade.
A partir de então, podem entrar no cardápio alimentos variados, oferecidos amassados em papinhas pastosas.
É principalmente na transição das papinhas para os alimentos sólidos, que deve ocorrer entre 1 e 2 anos, que a criança começa a rejeitar certos tipos de comida.
"Muitas ficam com uma sensação desconfortável ao comer algo menos elaborado, como alface e cenoura cruas", explica a endocrinologista Angela Spinola e Castro.
Os pais devem insistir até que o filho consiga mastigar bem os alimentos duros. Eles ajudam a estimular o nascimento do restante dos dentes.
Recomenda-se também introduzir aos poucos esses alimentos na dieta da criança - o ideal é seja semanalmente.
"Vale a pena investir um tempo nisso. Os hábitos alimentares da infância tendem a se perpetuar pela vida adulta", afirma a nutricionista Daniela Murakami.

Leia a matéria na íntegra: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100315/not_imp524313,0.php



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