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Fuvest fica parecida com Enem
Fonte: Diário de S. Paulo, 05/10/06, Caderno São Paulo.
Opção por não dividir a prova em blocos de matérias foi divulgada nesta semana, sob elogios de educadores e críticas de professores de cursinhos.
Um dos vestibulares
mais concorridos do país, que seleciona alunos para a Universidade
de São Paulo (USP), a Fuvest vai apresentar neste ano uma prova próxima
ao formato do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Nesta semana,
o órgão que executa o processo de seleção para
a USP anunciou o fim da divisão de disciplinas no exame, que terá
até nove questões multidisciplinares das 90 previstas.
Características do Enem, o foco interdisciplinar e a opção
por não dividir a prova em blocos de matérias foram elogiadas
por educadores, mas sofreram algumas críticas, principalmente de professores
de cursinhos pré-vestibulares, especializados em elaborar “receitas
prontas” para facilitar a vida dos candidatos.
“Os cursinhos terão de trocar o ‘pacote’ pronto deles
e se reorganizar”, acredita a educadora Maria Inês Fini, que participou
da criação do Enem, em 1998. “Informação
não é conhecimento. Quando você parte a informação
em diversas disciplinas, é mais difícil compreender o objeto
do conhecimento.”
Para Maria Inês, que hoje é dona de uma empresa que faz consultoria
em educação, as mudanças da Fuvest ajudarão na
busca pela melhora da qualidade do ensino médio. “Como a gente
está falando de um dos vestibulares mais importantes do país,
vai repercutir na metodologia do ensino médio, no tipo de ensino das
nossas escolas, pois vai obrigar os professores das disciplinas a trabalhar
em conjunto”, diz.
Três colégios particulares paulistanos consultados pela reportagem
também aprovaram as alterações da Fuvest. Orientadora
do ensino médio do Colégio Augusto Laranja, localizado na Zona
Sul da Capital, Thaís Martin só vê vantagens. “O
destino dos vestibulares é esse. Trabalhar interdisciplinarmente é
um ganho na educação”, comenta. “Só perde
quem ficou parado no ensino fragmentado, esperando aquela prova meio quadradinha
que a gente conhecia”, crê Thaís.
Nos cursinhos pré-vestibulares, alguns professores criticaram a mudança,
realizada há menos de dois meses da primeira fase da Fuvest, programada
para 26 de novembro.
“Qual é a finalidade de não divulgar os nomes (das disciplinas
no exame)? Qual é a vantagem para o aluno?”, questionou Alberto
Francisco do Nascimento, coordenador do Anglo Vestibulares. “Não
somos contra questões interdisciplinares, mas o vestibular tem de ser
divulgado de uma maneira mais clara, com mais transparência”,
critica Nascimento.
Neste ano, a Fuvest terá cerca de 142 mil candidatos. A USP oferece
pouco mais de dez mil vagas. Ontem, a reportagem entrou em contato com a Pró-reitoria
de Graduação da USP, responsável pelas mudanças
no vestibular, e pediu, por e-mail, esclarecimentos. Não obteve resposta
até o fechamento desta edição.