Em Presença na Mídia

Estreia a conta-gotas
Fonte: trecho de matéria publicada na Revista da Folha, 15/02/2009.

Primeira semana de aula das crianças ganha atenção pedagógica e vira evento para os pais.Do lado de dentro, Maria Luíza, 2 anos e dez meses, não sabe se brinca com os novos amigos, se olha para a professora ou se corre em busca da mãe. Do lado de fora, Isabella de Victor, 37, sabe exatamente qual é sua a função. Vai ficar sentada, naquela cadeirinha, até que a filhota se acostume à nova rotina.
É a “semana da adaptação”. E os pais não querem perdê-la. Lá estão eles com a máquina fotográfica, a filmadora e um bocado de apreensão na porta da escola a encorajar os primeiros passos dos filhos nesse universo. Cerca de 240 mil crianças com até cinco anos estarão em creches e escolas de educação infantil da rede particular da capital neste ano. A Secretaria Municipal da Educação não dispõe de dados atualizados sobre a rede pública.
Para os educadores, a presença dos familiares vai compor a primeira impressão que o aluno terá do local em que passará boa parte do seu dia. “Toda situação nova requer uma  familiarização. E, na infância, é essencial, porque as mudanças são bruscas”, diz Neide Noffs, coordenadora da psicopedagogia da PUC-SP.
A especialista explica que a criança tem medo de ser abandonada. Precisa sentir que a mãe continua por perto. “Ela perde a sensação de estranhamento porque vê que ali está alguém que a protege”, acrescenta.
Nos dois primeiros dias na escola Augusto Laranja, em Moema, a mãe de Maria Luíza não podia sair do campo de visão da filha. A choradeira era certa. Na última semana, no entanto, Isabella já pôde mudar a rotina.
“Ela se convenceu de que era um lugar legal, certa de que eu iria voltar no fim do dia para buscá-la”, diz a mãe, aliviada.
Quanto mais participação a criança tiver no processo, melhor será a adaptação. Como foi o caso de Maria Eduarda, 3. Em dezembro de 2008, ela conheceu a escola. Em janeiro recebeu, em casa, uma carta e uma foto da nova professora. Quando as aulas começaram, não houve estranhamento. “Todos os dias, ela me conta o nome de um novo amiguinho”, diz a mãe, a psicóloga Luciana Comparato, 34.
Um entusiasmo medido a conta-gotas. Nos dois primeiros dias, foram só duas horas de aula. Na quarta e na quinta, três horas. Só na sexta é que os alunos ficaram quantro horas lá. A regra é que um dos pais esteja por perto até que a criança se adapte.

 

 

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