Percebemos que a cada dia as relações humanas estão mais difíceis e a agressividade e a violência permeiam as nossas vidas. Esta não é uma situação normal, mas pode se transformar! O primeiro passo é o respeito a si mesmo e ao outro. Conhecer o outro e compreender seus valores e crenças auxiliaria muito na minimização de muitos conflitos.
Este pensamento é o que tem sido trabalhado por muitas Instituições que anseiam pela justiça social, desenvolvimento humano, cooperação, igualdade nas relações, respeito ao direito de todos e que se direcionam a uma cultura de Paz.
Acreditando que a Escola é o local ideal para este trabalho de tomada de consciência e sentido e que a aula de inglês não é somente a transmissão de sons de outra cultura, mas da língua de povos que a utilizam e que vem permeada com seus costumes e tradições, é que decidi escrever sobre a data comemorada no final deste mês de outubro.
Muitas vezes, ao se falar em celebrar o Halloween, questionamentos emergem e se acirram, uma vez que o enfoque está em como podemos valorizar esta celebração que não é nossa. É bem verdade que devemos dar valor aos nossos costumes e tradições, nosso folclore e nossa língua, e isso compete a NÓS, brasileiros. Ao mesmo tempo, questiono o exercício do olhar para o outro. Outro povo, outro costume e outra riqueza de valores. Mesmo que estes povos estejam distantes fisicamente de nós.
Então, para compreendermos esta celebração anual que acontece em vários países, senti a necessidade de escrever, sucintamente, sobre as origens da mesma.
A palavra Halloween tem sua origem na igreja católica e vem da contração (feita de maneira errada) da expressão 'All hallows eve' que significa Dia de todos os Santos, e que corresponde ao primeiro de novembro, que no catolicismo é o dia de reverência aos Santos Mortos.
No quinto século antes de Cristo, na Irlanda céltica, o verão terminava oficialmente no dia 31 de outubro. Era comemorado como feriado, denominado Samhaim. Os celtas acreditavam que todas as leis de tempo e espaço ficavam suspensas durante esse período, permitindo aos espíritos um inter-relacionamento com os vivos. Como os vivos não queriam ser possuídos pelos espíritos dos mortos, eles se vestiam com roupas fantasmagóricas e realizavam desfiles barulhentos pela vizinhança, de maneira a assustar e amedrontar os espíritos.
Durante a era romana esta crença religiosa foi transformada em apenas um cerimonial.
O costume do Halloween foi levado para os EUA na década de 1840 pelos imigrantes irlandeses.
O costume do “tick-or-treat' parece não ter origem nos célticos, mas em costume europeu do séc. IX chamado “Souling'.
O Halloween portanto cresceu a partir dos rituais de celebração do ano novo pelos celtas e de rituais europeus da Idade Média.
Nosso passado está na Europa e o costume trazido ou importado dos EUA é muito mais do que assustar as pessoas, pregar “peças” nos outros ou simplesmente pedir balas.
Acredito que passar as informações sobre a origem desta história faz parte do trabalho das aulas de inglês, bem como celebrá-la de maneira alegre e descontraída situando num contexto histórico e temporal.
Em minhas aulas de inglês, além de ensinar a língua, trabalho com o exercício da cooperação e tenho utilizado os jogos cooperativos e as estruturas de aprendizagem cooperativa para esta finalidade. O que são estes jogos? São jogos em que a estrutura está voltada para a execução de uma atividade da qual TODOS participem e de que ninguém é excluído. O grupo tem uma meta comum para atingir e há o estímulo à auto-ajuda e ao trabalho em equipe.
Pensando em todos estes aspectos, decidi novamente celebrar o Halloween de uma forma na qual os alunos pudessem jogar cooperativamente, utilizando os personagens do Halloween que enfrentarão desafios e que serão solucionados com o auxílio de seus amigos, além de colocar em prática o vocabulário já trabalhado em sala de aula durante o ano.
Fica aqui um relato e o atestado de que podemos celebrar sempre juntos quaisquer datas comemorativas de maneira a ter o olhar direcionado para o outro!
Cristina Melville Alonso
Professora de Inglês da Educação Infantil do Colégio Augusto Laranja